Mulher-Maravilha | Filme aposta na simplicidade e entrega personagem cativante

Longa da DC acerta a mão com a estreia da heroína na telona.

A chegada de Mulher-Maravilha aos cinemas é, possivelmente, um dos primeiros grandes acertos da parceria DC/Warner desde o momento em que escolheu criar seu universo para as telonas. Apostando em uma atriz desconhecida – Gal Gadot – em conjunto com um projeto desenhado por mulheres e com uma diretora – Patty Jenkins – à frente, o longa ganha nas cores e na abordagem sem excluir nenhum tipo de público.

Focado na apresentação de Diana, a produção mostra um “feijão com arroz” bem feito. O longa delimita bem a jornada da personagem e apresenta os principais detalhes de sua história, como de onde vem sua força, sua criação, respondendo a perguntas simples sem que seja necessário muito tempo para isso. Um filme pipoca, mas que nem por isso perde seu poder de gerar reflexão sobre representatividade – seja pela diversidade das Amazonas, seja nos questionamentos sobre a sociedade padrão da Primeira Guerra Mundial.

m-m-postJenkins, em conjunto com o roteirista Allan Heinberg, conseguiu tirar a DC da sinuca de bico com um filme simples, que trabalha muito bem as diferenças e as descobertas de uma heroína que conhece um novo mundo e também se descobre um pouco mais ao sair da sua redoma protegida. Outro fator que também merece destaque é como o personagem masculino, Steve Trevor, vivido por Chris Pine, surge no longa. Ele dá um tempero interessante à trama, puxa a história para frente, mostra possibilidades que Diana não conhecia, mas não altera a forma como a heroína é retratada na história. O personagem funciona como um impulso para a curva de crescimento da personagem sem que seu trajeto seja alterado.

Em todo caso, mesmo com a história bem conduzida, algumas escolhas estéticas cansam (uso de câmera lenta) e a aposta em soluções simples demais, às vezes, pode tirar a atenção do que está acontecendo. Esse último artifício não coloca o filme em xeque, pois faz a história andar e mostra que é melhor apostar no certo do que tentar algo mirabolante e estragar o andamento de toda a obra.

Por fim, com uma história enxuta e sem grandes sobressaltos, possivelmente o grande detalhe fica por conta do ato final, quando Diana encontra o vilão Ares. Nesse momento existe uma aposta em algo grandioso demais e cheio de efeitos, que destoa de tudo que foi apresentado na tela até o momento e ainda tira toda a força das possíveis camadas que Ares poderia trazer… De qualquer forma, apesar dessa solução um pouco apressada e diferente, não chega a tirar a credibilidade da história e, novamente, faz com que o longa caminhe sem grandes sobressaltos.

No entanto, ao final da história, fica a vontade de ver a heroína novamente em ação. É entusiasmante a forma como ela cresce na tela, seus momentos reais dentro da história, suas cenas de luta e como tudo  isso pode se tornar algo ainda mais interessante já na Liga da Justiça, que estreia em novembro deste ano. Agora é aguardar para ver se o estúdio realmente encontrou o caminho ou isso foi somente um tiro no escuro.

Ansiosos para o próximo capítulo da DC nos cinemas? Conta pra gente e até a próxima.

Quero viajar o mundo pelas sensações que o mundo traz. Cinema, música e pessoas me interessam. :)

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