Sobre Viagens e Amores | Viajar é muito mais do que conhecer novos lugares

Diretor de ‘À Procura da Felicidade’ acerta em história simples e inspiradora

A vontade de viajar e conhecer novos lugares é algo inerente a quase todo ser humano, não é verdade? Talvez, para quem ainda não descobriu o quanto isso é importante, falte apenas ir viajar. Em todo caso, o filme mais recente do cineasta italiano, Gabriele Muccino (À Procura da Felicidade e Sete Vidas) funciona como um propulsor dessas sensações ao colocar dois personagens adolescentes – italianos – em sua primeira viagem aos Estados Unidos para descobrir coisas, serem descobertos e descobrirem-se.

sobre viagens e amores artigoSobre Viagens e Amores, lançado recentemente, o cineasta vai além da relação entre Marco e Maria, que vivem em universos bem diferentes em Roma, e mistura o surgimento de sentimentos, novas experiências e as mudanças que uma viagem nessa fase da vida – quando parece que não temos muitas esperanças – pode trazer. Logo de entrada a mudança de habitat, com a dupla saindo da tradicional Europa e chegando aos Estados Unidos, para uma experiência que foge do cotidiano de ambos, a convivência com um casal homossexual, a dúvida sobre como a religião e a vontade de ser diferente afeta a visão de Maria, em conjunto com o combo que uma viagem, nessa altura da vida, pode trazer. Mas nesse caso, algo interessante é que mesmo com todas essas informações – relações sendo construídas, ambientes diferentes, sonhos para buscar – para ser destrinchadas na tela, o diretor não cria em nenhum momento uma situação que altere o andamento da história. Ele simplesmente privilegia o storytelling para que as situações, por elas mesmas, sejam capazes de criar sensações no público.

Muccino apresenta traumas que se complementam, experiências que enriquecem todos os momentos de quem viaja (vai ser difícil não se lembrar de alguma viagem que você já fez) e consegue abrir esse leque mostrando um pouco da vida do casal que recebe os visitantes. Completos desconhecidos que têm a vida alterada e também alteram a vida de seus anfitriões. Afinal de contas, viagem se trata de troca, sensações, e esse quesito fica muito evidente na tela. O diretor opta pela leveza ao abordar um assunto marcante principalmente para quem conhece alguns dos percalços de estar longe de casa e próximo de estranhos que talvez você nunca mais veja, mas vão te marcar – possivelmente – para sempre.

Assim, o cinema se mantém como a coisa incrível que é, estimula a mente a fugir das barreiras da rotina, e – nesse caso – nos transporta para uma experiência enriquecida, sem o objetivo de ser definitiva ou única. Estimula sonhos, mostra situações que gostaríamos de vivenciar e garante momentos cheios de imagens para permanecer e aquecer o coração.

Em todo caso, esse é um daqueles filmes leves, que não chamam a atenção pela forma como são feitos, mas sim pela simplicidade da mensagem. Sem enquadramento ou roteiro espetacular, o segredo está na simplicidade de apresentar alguns dos momentos mais bonitos da vida – sob a ótica adolescente – e te deixar em seu espaço só para que você reflita sobre o que realmente importa: A troca e as experiências que irão permanecer.

Por fim: Será que toda viagem é assim? Conta pra gente e até a próxima.

Quero viajar o mundo pelas sensações que o mundo traz. Cinema, música e pessoas me interessam. :)

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